quarta-feira, 15 julho , 2026

Câmara aprova projeto de lei de abuso de autoridade

O projeto que define as situações em que será configurado crime de abuso de autoridade foi aprovado em votação simbólica nesta quarta-feira (14/8), às 22 horas, no plenário da Câmara. Na sequência, foram rejeitados os três destaques apresentados pelo PSL, pelo Podemos e pelo Cidadania. À tarde, os deputados decidiram, por 342 votos a 83, dar urgência ao projeto PL 7596/2017, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e relatado pelo ex-senador Roberto Requião (MDB-PR). Horas depois, os deputados decidiram votar o PL.

O projeto já foi analisado pela Câmara, mas como foi modificado pelo Senado em junho, onde foi aprovado a toque de caixa, os deputados tiveram que votá-lo novamente. Como não houve alteração na Câmara, o texto segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. 

O projeto tipifica situações de abuso de autoridade cometido por servidores públicos e membros dos três poderes da República, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas e das Forças Armadas, que poderão ser enquadrados no crime, e define como será o processo penal, a responsabilização e os efeitos da condenação.

Os líderes de PV, Novo, Podemos e Cidadania defenderam o adiamento da votação. Argumentaram que havia divergências em relação ao texto e que seria preciso mais tempo para analisar a proposta. Parlamentares contra o projeto argumentam que as ações inibem a ação policial e causam insegurança jurídica aos profissionais de segurança.  

O Cidadania queria excluir do texto o crime de dar início ou começar um processo penal, civil ou administrativo sem justa causa fundamentada. O Podemos propôs excluir o artigo que tipifica como abuso de autoridade o uso de algemas em preso, quando não houver resistência à prisão ou ameaça de fuga.

O PSL apresentou destaque para excluir dispositivo no qual são listados efeitos da condenação, como indenização por dano, inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública por 1 a 5 anos; e perda do cargo, do mandato ou da função pública.

De acordo com o texto, a pena para quem cometer abuso de autoridade é de detenção de seis meses a dois anos, podendo começar em regime aberto ou semiaberto, além de multa. O projeto também traz um dispositivo que ficou conhecido como “lei da mordaça”, segundo o qual juízes não podem expressar opinião sobre processo pendente de julgamento em meios de comunicação.

Com relação aos membros Ministério Público, o PL define que não podem emitir  “juízo de valor indevido sobre procedimento ou processo em andamento”. O projeto  classifica, ainda, como abuso de autoridade juízes e procuradores “com evidente motivação político-partidária”.  A proposta é considerada uma reação dos políticos às operações recentes contra corrupção, como a Lava Jato.

Ao todo, o PL lista 37 ações que poderão ser consideradas abuso de autoridade, quando praticadas com a finalidade específica de prejudicar alguém ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro. Entre elas, obter provas por meios ilícitos; executar mandado de busca e apreensão em imóvel, mobilizando veículos, pessoal ou armamento de forma ostensiva, para expor o investigado a vexame; impedir encontro reservado entre um preso e seu advogado; e decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado sem intimação prévia de comparecimento ao juízo.

Após aprovação do requerimento de urgência, o presidente Associação Nacional dos Membros do Ministério Público  (CONAMP), Victor Hugo Azevedo, afirmou que, “a agilidade imposta para  priorizar o projeto implica em uma inversão de pauta que contraria os anseios da sociedade. Ao invés de votar os projetos de lei que reforçam o combate à corrupção, às organizações criminosas e à impunidade, os parlamentares optaram por votar um texto que pode, eventualmente, inibir a atuação dos agentes encarregados de combater a corrupção.”

Segundo Victor Hugo, o projeto possui pontos que representam riscos à atuação austera do MP e de outras carreiras que operam no Sistema de Justiça Criminal. Ele teme que integrantes do sistema de justiça e segurança pública possam “estar suscetíveis a processos pelo fato de exercerem legitimamente suas atribuições, em especial no combate à corrupção e outros crimes graves”. 

Com a aprovação a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) emitiu nota 

O projeto de lei de abuso de autoridade, que teve o regimento de urgência aprovado na data de hoje, ainda precisa ser aperfeiçoado para o bem da democracia. 

A necessária punição a quem atue com abuso de autoridade não pode servir, sob qualquer pretexto, a intimidar ou de qualquer forma subtrair a independência do Poder Judiciário e seus juízes, que tanto realizam no combate à corrupção, na garantia dos direitos fundamentais e na consolidação da democracia.                                     

A AMB mantém diálogo constante com o parlamento na construção de um texto que garanta uma legislação eficiente na punição de quem se exceda no exercício do poder, mas que não impeça o exercício legítimo das funções do Estado. A pretexto de punir não se pode cercear o livre exercício do Poder Judiciário.

A AMB mantém diálogo constante com o parlamento na construção de um texto que garanta uma legislação eficiente na punição de quem se exceda no exercício do poder, mas que não impeça o exercício legítimo das funções do Estado. A pretexto de punir não se pode cercear o livre exercício do Poder Judiciário.

Continue lendo

Laguna confirma primeiro caso autóctone de dengue em 2026 e reforça alerta à população

A Prefeitura de Laguna, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, confirmou o primeiro caso autóctone de dengue registrado no município em 2026. O...

Operação investiga suposta fraude de R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Distrato, que investiga um suposto esquema de...

Governo deve recorrer ao STF contra PEC dos agentes de saúde por impacto fiscal

O governo federal informou que poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras...

Documento de 2022 já apontava risco estrutural na Ponte Anita Garibaldi; ViaCosteira diz que problema atual é diferente

Um documento elaborado em 2022 e encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já apontava falhas estruturais na Ponte Anita Garibaldi, em Laguna,...

Argentina e Inglaterra disputam vaga na final da Copa do Mundo de 2026

Argentina e Inglaterra entram em campo nesta quarta-feira (15), em Atlanta, nos Estados Unidos, para definir o segundo finalista da Copa do Mundo de...

CIM-Amurel lança sistema pioneiro para agilizar compras públicas no país

FOTO CIM-Amurel, Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutos O Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Amurel (CIM-Amurel) lançou, nesta terça-feira (14), em Tubarão, o Compras Simples, sistema...

Previsão do tempo: quarta-feira será de sol e temperaturas agradáveis no Sul de Santa Catarina

FOTO Notisul Tempo de leitura: 4 minutos A atuação de uma massa de ar seco mantém o tempo firme em todo o Sul de Santa Catarina...

PM registra 6 ocorrências relevantes em 24 horas; veja os principais casos na região

FOTO PMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 5 minutos A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) atendeu 111 ocorrências entre as 7h de terça-feira (14) e...